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O HOLOCAUSTO (republicação)

O meu coração está ferido e seco
como a erva, pelo que até esqueço
de comer o meu pão.
Iludiste-me, ó SENHOR, e iludido
fiquei; mais forte foste do que eu
e prevaleceste; sirvo de escárnio
todo o dia; cada um deles zomba de mim.
Caminho entre minha própria gente.
Todos trazemos uma estrela sobre o peito.
Muitos morreram ontem. Hoje morrerão outros
tantos e amanhã não verei mais seus rostos.
Os meus inimigos me afrontam todo o dia;
os que contra mim se enfurecem me amaldiçoam.
Já os meus ossos se pegam à minha pele,
em virtude do meu gemer doloroso.
As câmaras de gás levam as nossas mulheres.
As valas que cavamos se enchem dos
nossos corpos. 
A minha alma está entre leões, e eu estou
entre aqueles que estão abrasados, filhos
dos homens, cujos dentes são lanças e flechas,
e cuja língua é espada afiada. 
Eles correm e se preparam, sem culpa minha;
desperta para me ajudares e olha. 
Ó tu que ouves as orações! A ti virá 
toda a carne.
Prevalecem as iniquidades contra mim; mas 
tu perdoas as nossas transgressões.
Estamos sem voz, SENHOR! 
Perdemos a voz! 
Riscados fomos da terra. 
Fizeste com que os homens cavalgassem 
sobre a nossa cabeça; passamos pelo
fogo e pela água e todos fomos 
trilhados vezes sem conta. 
Os nossos corpos estão caídos a 
perder de vista. 
Bem conheces a minha afronta, e a minha
vergonha, e a minha confusão; diante de ti
estão todos os meus adversários.
Afrontas me quebrantaram o coração, e estou
fraquíssimo; esperei por alguém que tivesse
compaixão, mas não houve nenhum; e por 
consoladores, mas não os achei. 
O nazismo nos devorou a todos!
Acrescenta iniquidade  à iniquidade deles,
e não entrem na tua justiça. 
Fique desolado o seu palácio; e não haja
quem habite nas suas tendas.
Sejam riscados do livro da vida e não
sejam inscritos com os justos.
Eu, porém, estou aflito e triste;
ponha-me a tua salvação, ó Deus, 
num alto retiro. 
Venha perante a tua face o gemido
dos presos; segundo a grandeza do teu
braço preserva aqueles que estão 
sentenciados à morte.
E torna aos nossos vizinhos, no seu regaço,
sete vezes tanto da injúria com a qual
te injuriaram, SENHOR.
Porque o SENHOR ouve os necessitados
e não despreza os seus cativos.
SENHOR, redime a Israel do 
seu cativeiro!


Por
Manoel Leonardo Metelis Florindo

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